Memória migratória, identidade e anticiganismo sob o olhar anarquista de Cláudio Domingos Iovanovitchi
Dossier Resistances
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Palavras-chave

Roma; Gypsy Holocaust; Memory; Identity; Ethnic Politics Ciganos; Holocausto Cigano; Memória; Identidade; Política Étnica Gitanos; Holocausto Gitano; Memoria; Identidad; Política Étnica

Como Citar

Cairus, B. G. (2021). Memória migratória, identidade e anticiganismo sob o olhar anarquista de Cláudio Domingos Iovanovitchi. Resistances. Journal of the Philosophy of History, 2(3), e21051. https://doi.org/10.46652/resistances.v2i3.51

Resumo

O elemento étnico cigano está presente no Brasil desde o início do período colonial. Não obstante este traço de legitimidade histórica no tecido social brasileiro, sua trajetória é marcada por matizes de intolerância, marginalidade e alteridade extremas, de caráter deletério. Décadas depois de afro-brasileiros e indígenas terem conquistado sanção oficial, o governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva finalmente reconheceu os ciganos brasileiros como uma minoria importante do Brasil multicultural ao inaugurar o Dia Nacional do Cigano, em 2006. Mas a luta por direitos de cidadania e visibilidade étnica começou, através da agência cigana, anos antes, em finais da década de 1980. Através do emprego de uma abordagem mais fluída da história oral italiana contemporânea, este texto apresenta o depoimento do líder Rom Cláudio Iovanovitchi, presidente da Associação de Preservação da Cultura Cigana (APRECI) de Curitiba, Paraná desde 1995 e desbravador étnico político cigano em Brasília. Cláudio discorre acerca de suas memórias diaspóricas familiares; se preocupa com o fenômeno da globalização cultural; enxerga o nomadismo tanto como consequência da alteridade gerada pelo anticiganismo, bem como um viabilizador de novos caminhos e de novos encontros; analisa as disputas e políticas étnicas estabelecidas em Brasília e promove, através de sua memória familiar, uma reflexão acerca do silêncio acerca do Porrajmos, o holocausto cigano. A partir do olhar cigano, o depoimento oferece uma compreensão transnacional do anticiganismo, bem como uma elucidação acerca da historicidade das políticas étnicas ciganas nacionais, com suas devidas disputas entre ciganos e não ciganos em Brasília.

https://doi.org/10.46652/resistances.v2i3.51
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